Turquia inicia julgamento à revelia por assassinato de jornalista saudita

Entre as 20 pessoas acusadas de homicídio há dois organizadores do assassinato: um ex-assessor do príncipe herdeiro, Saud al Qahtani, e o ex-número dois da inteligência saudita, o general Ahmed al Assiri.

Jamal Khashoggi, jornalista assassinato e esquartejado na Turquia Mohammed al-Shaikh/AFP Um tribunal de Istambul iniciou nesta sexta-feira (3) o julgamento à revelia de 20 sauditas, incluindo dois homens próximos ao herdeiro do regime da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, acusados pelas autoridades turcas pela morte e esquartejamento do jornalista Jamal Khashoggi em 2018. As chocantes gravações que retratam os últimos momentos de Jamal Khashoggi, morto em consulado saudita na Turquia Família de Jamal Khashoggi, jornalista saudita morto em 2018, diz que perdoa assassinos Embora os acusados corram o risco de condenação à prisão perpétua, o processo é sobretudo simbólico, já que nenhum réu está na Turquia. Entre as 20 pessoas acusadas de "homicídio doloso premeditado com a intenção de infligir sofrimento", os investigadores turcos identificaram dois organizadores do assassinato: um ex-assessor do príncipe herdeiro, Saud al Qahtani, e o ex-número dois da inteligência saudita, o general Ahmed al Assiri. Khashoggi, um colaborador do jornal Washington Post e crítico do regime saudita, depois de ter sido um de seus apoiadores, foi assassinado e teve o corpo esquartejado em outubro de 2018 dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul.

Ele compareceu ao local para recuperar um documento. A história e as consequências por trás da morte de Jamal Khashoggi O jornalista tinha 59 anos e seus restos mortais nunca foram encontrados. O assassinato provocou uma das piores crises diplomáticas da Arábia Saudita e abalou a imagem do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, conhecido pela sigla "MBS", apontado pelas autoridades turcas e americanas como a pessoa que deu a ordem para a morte. A namorada de Khashoggi, a turca Hatice Cengiz, e a relatora especial da ONU sobre execuções extrajudiciais, Agnès Callamard, estavam presentes na audiência desta sexta-feira, assim como Yasin Aktay, amigo da vítima e assessor do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. "Os assassinos de Jamal e os que deram a ordem evitaram a justiça até agora", declarou à AFP Cengiz antes do julgamento.

"Vou continuar até esgotar todas as opções legais para que os assassinos sentem no banco dos réus", completou. Foi justamente Cengiz quem alertou sobre o desaparecimento de Khashoggi, com quem se casaria, depois de aguardar por várias horas na entrada do consulado saudita em Istambul. Durante a investigação, as autoridades turcas assistiram horas de gravações das câmeras de segurança, interrogaram dezenas de pessoas e percorreram até a rede de esgoto ao redor do consulado saudita em Estambul para tentar encontrar evidências do homicídio do jornalista. Após negar o assassinato, e depois de apresentar versões contraditórias, Riad reconheceu que o crime foi cometido por agentes sauditas que atuaram por conta própria e sem ordens das autoridades superiores. A própria justiça saudita organizou um julgamento no país.

Ao final de um processo opaco na Arábia Saudita, cinco sauditas foram condenados à morte no ano passado.

Porém, não foram apresentadas acusações contra Qahtani e Assiri foi absolvido. A Turquia chamou a decisão saudita de "escandalosa", por considerar que os verdadeiros organizadores do crime se beneficiam de "imunidade". Sem acusar diretamente MBS, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pediu em diversas ocasiões o "julgamento dos culpados". No fim de maio, o primogênito de Khashoggi anunciou que os filhos do jornalista "perdoavam" os assassinos.

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