Pobreza, desigualdade e trabalho informal aumentam letalidade da Covid-19, diz estudo da UFPB

Vulnerabilidades socioeconômicas dos diferentes territórios ampliam os riscos associados à disseminação do coronavírus, dizem pesquisadores.

Estudo foi realizado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Angelica Gouveia/UFPB Professores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) mostram, em pesquisa, que a desigualdade social e regional, os níveis de pobreza e a informalidade do trabalho são condições para maiores riscos de disseminação da Covid-19.

O trabalho foi realizados pelos professores Henrique Menezes e Lizandra Serafim, na pesquisa “As ações da Paraíba no enfrentamento à pandemia”. De acordo com os pesquisadores da UFPB, o estado da Paraíba é marcado por um arranjo administrativo que possui 90% dos municípios com menos de 40 mil habitantes, 60% deles têm menos de 10 mil e as vulnerabilidades socioeconômicas dos diferentes territórios ampliam os riscos associados à disseminação do novo coronavírus (Sars-CoV-2).

“São municípios majoritariamente pobres (a quase totalidade possui Índice de Desenvolvimento Humano médio ou baixo) e quase 60% dos trabalhadores estão em ocupações informais, o que corresponde a 882 mil pessoas.

A Paraíba tem o 3º menor índice de trabalhadores com carteira assinada”, revela o professor Henrique Menezes. Para os pesquisadores, os dados ressaltam a urgência de os gestores públicos da Paraíba adotarem medidas voltadas à assistência da população mais vulnerável do ponto de vista socioeconômico e, dessa forma, ter melhores chances de assegurar o isolamento social. “A diferença nas taxas de mortalidade entre as cidades com a maior quantidade de óbitos mostra de forma clara os efeitos da desigualdade sobre os resultados em saúde.

Santa Rita e Bayeux – parte da Região Metropolitana de João Pessoa, com condições socioeconômicas mais frágeis – são as que apresentam as taxas mais elevadas no Estado”, conta Menezes. Segundo informações dos professores da UFPB, a Paraíba ficou, por mais de 30 dias, como o Estado brasileiro com as menores taxas de testagem da população.

Apenas no início de maio passou a realizar testes rápidos em maior volume. “Essa mudança na política de controle refletiu nos dados de mortalidade da Covid-19 no estado, que alcançou 14,5% em meados de abril e não ultrapassou a marca de 3% até os primeiros dez dias do mês passado”, argumenta o professor Henrique Menezes. Os pesquisadores da UFPB alertam que a baixa adesão da população ao isolamento social e o posicionamento contrário às medidas de distanciamento para favorecer a reabertura por parte dos setores empresariais são os maiores desafios para os gestores públicos da Paraíba. “As maiores taxas de letalidade estão em Santa Rita, Bayeux e Patos.

São 10%, 6% e 3%, respectivamente.

A ausência de ações mais drásticas para ampliação da infraestrutura emergencial de saúde é ainda uma fragilidade dentre as ações adotadas pelo governo estadual”, lamenta Menezes.

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