Discriminação e preconceito deixam marcas nas vidas dos pacientes que enfrentam o novo coronavírus

Médico infectologista conta que relatos têm sido comuns durante a pandemia e ressalta que o comportamento é desnecessário.

‘Poucos me estenderam a mão’, afirma vendedora.

Nathalia Camilo Fernandes viu de perto a questão da discriminação Cedida A região do Oeste Paulista conta com mais de 1,8 mil casos confirmados do novo coronavírus, causador da Covid-19.

A primeira confirmação foi no dia 4 de abril, em Presidente Prudente (SP), e desde então os casos sobem diariamente.

Mas, além da gravidade da doença, muitos enfrentam um outro problema desagradável: o preconceito. Moradora de Presidente Prudente, a vendedora Nathalia Camilo Fernandes, de 26 anos, viu de perto a questão da discriminação, principalmente, vindo de pessoas que moram perto da sua casa. “Quando eu fiquei sabendo que fui testada positivamente para o coronavírus, já não foi fácil.

Mas, sobre os meus vizinhos, poucos me estenderam a mão.

Quando eu ia tomar apenas um sol no quintal, já que eu também precisava caminhar, eles nem chegavam perto”, conta ela ao G1. "Às vezes, eles perguntavam entre si: 'Será que está curada mesmo? Será que é coronavírus? Ah, deve ser invenção'.

A gente percebia que muitas vezes era medo, mas às vezes a curiosidade me ofendia.

Na própria unidade de saúde, eu também passei por isso, como se eu fosse passar algo ou fosse um animal", complementa.

Já o policial penal Márcio Danilo Scalon, também de Presidente Prudente, não se esquece de um constrangimento pelo qual passou com uma pessoa conhecida, quando era tratado como curado.

Ele, que sofre com o problema de pressão alta, foi internado com a Covid-19 no mês de abril. “Após o meu retorno, eu fui em um determinado estabelecimento e uma pessoa, que até é colega minha, sabia que eu tinha pego e tinha sido curado.

Mesmo assim, ela disse para eu não ficar ali perto para não passar a doença para eles.

No trabalho, após o meu retorno, assim que eu cheguei, o meu colega de serviço disse para eu não ficar perto dele”, relembra ao G1. “A gente não sabe se é uma brincadeira ou se não é, mas são situações que deixam a gente bem chateado mesmo.

E a gente fica muito constrangido com toda essa história”, acrescenta. O mesmo comportamento foi notado pelo casal Antônio Guedes da Silva e Alda Aparecida Guedes da Silva, de 67 e 61 anos, respectivamente.

Moradores de Caiabu (SP), eles tiveram vários casos confirmados na família. “Assim que foi confirmado o primeiro caso na família, já vimos o preconceito das pessoas, os olhares diferentes.

Como a cidade é pequena, dentro de poucos dias todos estavam sabendo.

A cada dia a gente ia notando o comportamento das pessoas”, afirma ao G1 o aposentado. Gratidão No momento de dificuldade, Nathalia conta que a esperança veio por meio dos próprios profissionais da saúde.

Além da família e dos amigos, um simples gesto a fez esquecer toda a discriminação que sofreu. “Eu sou grata desde os médicos até os enfermeiros.

Teve um enfermeiro que não me colocou em uma cadeira de rodas, eu brinco que ele me colocou em uma carruagem.

Ele virou para mim e disse: 'Você é uma pessoa que precisa de cuidados e eu estou aqui para cuidar de você'.

Eu estava chorando de dor nesse momento e aí passei a chorar de emoção.

Eu não fiquei desamparada em nenhum momento”, frisa a vendedora. Nathalia Camilo Fernandes viu de perto a questão da discriminação Cedida 'Desconhecido' O infectologista André Pirajá conta ao G1 que os médicos têm recebido muitos relatos de casos de preconceito e discriminação dos pacientes que testaram positivo para o novo coronavírus, o que é um comportamento desnecessário. “Tudo o que é novo, desconhecido e diferente gera uma certa diferença.

E não seria diferente com essa pandemia do novo coronavírus.

Nós vemos várias pessoas enfrentando a doença e se recuperando de forma adequada.

Mas muitas vezes o problema é como se comportar no pós-doença.

Vemos relatos de pessoas que voltam ao trabalhar e não são bem recebidas”, pontua. Médico infectologista André Pirajá Acervo pessoal “O mais difícil é o preconceito das outras pessoas.

Há o receio de elas estarem contaminando alguém.

Porém, acima desse zelo pessoal, as pessoas devem entender que ninguém está aqui para colocar a vida de ninguém em risco”, emenda Pirajá. O infectologista reforça ainda que, caso seja contaminado, o paciente deve cumprir o isolamento social e não há motivo para o desespero por parte das outras pessoas. “As pessoas devem cumprir o isolamento social por, no mínimo, 14 dias.

Existe, sim, um período de transmissibilidade, que é pequeno.

Quando essas pessoas voltam ao convício social, acabou essa chance de transmissão”, salienta ao G1. Initial plugin text Veja mais notícias em G1 Presidente Prudente e Região.

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