Hospitais de Porto Alegre estão com mais de 81% de ocupação em leitos de UTI

Apenas 15% dos pacientes têm suspeita ou confirmação de Covid-19.

Prefeitura divulga mapa com bairros de maior incidência de coronavírus, e Zona Sul é região menos afetada.

Hospital de Clínicas de Porto Alegre recebe 10 leitos de UTI HCPA / Divulgação A média de ocupação em leitos de UTI em hospitais de Porto Alegre é de 81,43%, segundo monitoramento da prefeitura.

Porém, dos 500 pacientes internados até esta sexta-feira (22), apenas 15% deles estavam com suspeita ou confirmação de Covid-19. Dos 16 hospitais acompanhados em tempo real, sete estão com ocupação de 90% ou mais.

O Fêmina e o Divina Providência estão com 100% de ocupação.

A Santa Casa estava com 93,1%, até a tarde desta sexta-feira (22). “Trabalhar perto dos 100% de ocupação não é novidade para intensivistas.

Normalmente isso acontece nessa época do ano por causa das doenças respiratórias”, explica o gestor de UTI do Hospital Ernesto Dornelles (HED), André Machado Santana.

“A questão é que esses pacientes ficam de duas a três semanas internados, e isso dificulta o giro.

Os pacientes com outras doenças ficam de sete a nove dias internados na UTI.” O Hospital Ernesto Dornelles tem 40 leitos de UTI e, na quinta, atingiu 95% da ocupação.

Nesta sexta, o número caiu pra 87,5%.

São 18 internados para o tratamento da Covid-19 e 17 para outras doenças.

Já no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que é público e referência no tratamento do coronavírus pelo SUS, a situação é diferente.

A taxa de ocupação é a segunda menor (68,75%), mas o total de pacientes com a doença é o maior: 22 pessoas. “A gente vinha no situação bem tranquila até 24 de abril.

Agora temos uma lenta crescente de quatro casos por dia, sendo que dois a três positivos”, explica a médica Thaís Crivellaro. O HCPA se prepara para abrir, em julho, mais 30 leitos de UTI, o que fará com que chegue a 105 lugares conforme a demanda.

A médica, entretanto, percebe uma mudança social no perfil dos internados. “Isso é o esperado em uma pandemia.

Primeiro foram acometidos os pacientes de classes A e B, agora a gente vê uma crescente na população mais pobre”, observa Thaís. O Hospital Moinhos de Vento (HMV) foi o primeiro a tratar casos de Covid-19 no estado.

Ele já chegou a ter 25 pacientes internados em estado grave ao mesmo tempo, mas atualmente está com sete. O centro de Tratamento Intensivo (CTI) especializado está com 10 leitos livres.

Somados a outros 42 pacientes com outras doenças, a ocupação é de 87,5%. “O que de certa forma pressiona o sistema”, afirma a chefe de medicina intensiva do HMV, Roselaine de Oliveira.

"Por isso é muito importante seguir com o distanciamento controlado, porque a ocupação pode voltar a aumentar", alerta. Zona Sul tem menos incidência de casos A prefeitura também atualiza em um mapa digital a incidência do coronavírus por bairro.

Ele apresenta o número absoluto de casos da doença em cada território das unidades de saúde da Secretaria Municipal de Saúde, considerando local onde mora o paciente com resultado positivo para Covid-19.

Petrópolis (43), Bela Vista (38), Rio Branco (29), Sarandi (28) e Passo D´Areia (27) são os com maior número de casos. A Zona Sul é a região com menos incidência.

Lami, Extrema, São Caetano, Jardim Isabel, Pedra Redonda e Vila Conceição não têm casos confirmados. Os bairros Farroupilha e Anchieta, localizados nas áreas central e norte, também não registram casos de Covid-19. O mapa foi construído com duas camadas: o número absoluto de casos em cada território de atuação das unidades de saúde e o número absoluto de casos por bairro. Mapa de Porto Alegre com incidência de coronavírus por bairros Reprodução/GoogleMaps
Categoria:Rio Grande do Sul